[video]
Apenas 31, das mais de 200 seleções que se inscrevem nas eliminatórias vão conseguir chegar lá, ou melhor, chegar aqui em 2014 para jogar a Copa. Com tanta demanda pelo fracasso, as fórmulas das competições classificatórias oferecem aos competidores um monte de jeitos diferentes de eliminação.
Você pode perder em um mata-mata simples ou com 2 jogos, pode perder a vaga jogando mal, jogando bem, nos pênaltis, por saldo qualificado e, como fez Bahamas, ainda dá para perder por não comparecimento.

W.O. ainda é comum em lugares onde o futebol não é um vício como é o crack nas capitais brasileiras, mas dessa vez a atitude do pessoal das ilhas é incompreensível. Depois de vencer na primeira fase os 2 jogos contra Turk e Caicos, por 4x0 e 6x0, o time de Bahamas iria enfrentar um grupo fraco na segunda fase, podendo chegar com certa facilidade a uma inédita etapa semi-final.
A Copa nunca esteve tão perto, e mesmo assim a federação local de futebol sequer teve o trabalho de publicar uma nota com os motivos da desistência. Mas nem por isso deixaremos de ver quem se dá bem e mal com a decisão.
Quem perde com Bahamas fora da Copa:
Lesly St.Flery. O jogador já tinha marcado 6 gols em 2 jogos, e era o artilheiro global das eliminatórias quando sua seleção amarelou da disputa. Caso Bahamas continuasse em campo, ele teria no mínimo mais 6 partidas para aumentar a marca e concorrer ao prêmio em dinheiro que a FIFA dá ao atacante que mais fizer a alegria da torcida na competição.
E Quem ganha com Bahamas na Copa:
A delegação de Bahamas que não estará no Brasil sofrendo goleadas por 15 dias seguidos, mas sim em casa - ou seja, aqui:

Sem Bahamas na disputa, a única ligação entre eles e a FIFA seguirá a de sempre, um belo paraíso fiscal para depósito de dinheiro desviado das obras da Copa para um longo e sigiloso processo de lavagem, como sempre foi. Tudo em seu lugar.
Para seguir vivo nas eliminatórias, só havia uma opção para o Bahrein na última rodada - vencer. E vencer bem, por 10 gols de diferença.
Adivinha quanto foi o jogo?

Isso mesmo. Bahrein 10, Indonésia 0.
E as circunstâncias muito suspeitas. Aos 2 minutos o goleiro indonésio foi expulso no lance da marcação do primeiro penalti para o time da casa. Sim, primeiro penalti, já que foram quarto penais assinalados a favor do Bahrein pelo juiz, dos quais apenas 2 viraram gols. Ou seja, com melhor pontaria o placar poderia ser ainda maior.
O retrospecto também não apontava para tamanha elasticidade no score. Nos 5 jogos anteriores, Bahrein havia marcado apenas 3 gols, enquanto a mole defesa do adversário havia tomado em média de 3,2 por jogo. Em toda a história, o resultado também pode ser considerado fora da curva, já que Bahrein nunca havia marcado 10 vezes em uma partida nem a Indonésia sofrido tal cota.
Com a “surpreendente” goleada de dois dígitos, Bahrein conseguiu o que queria, jogar a responsabilidade para cima do concorrente direto pela mesma vaga na próxima fase, o Quatar, que naquela rodada enfrentava o Irã.
Em Teerã, quem se dava bem eram os persas, que venciam por 2 a 1 até os 41 do segundo-tempo, quando Kasola marcou para Quatar, empatou em 2 a 2 e pôs fim aos suspeitos planos do Bahrein. De nada adiantou a Indonésia abrir as pernas, os classificados para a fase final foram mesmo Irã e Quatar.

Não custa lembrar que é legal que o Qatar siga vivo, já que ele será sede da Copa de 2022, e seria interessante ver o time ganhando experiência em uma competição nesse tempo. A seleção deles é dirigida pelo brasileiro Paulo Autuóri. Por sua vez o Irã será sede em breve de uma intervenção norte-americana - mas isso não importa.
A FIFA está apurando. Resta esperar por um veredito, caso se comprove alguma fraude, talvez o Bahrein precise de mais de 4 anos para tentar chegar numa Copa do Mundo de novo.
Além do Brasil, já classificado para a copa no Brasil (dã), mais 31 nações terão o direito de enfrentar enormes filas nas alfândegas de nossos aeroportos em 2014. Até lá, teremos homeopaticamente quase 200 seleções sendo limadas nas eliminatórias, e contar a história de algumas dessas campanhas que não deram certo também é contar a história da Copa.
E é de olho nestes já eliminados que começo a série: 2014 - EU NÃO VOU em grande estilo, contando como a Coréia do Norte não chegou lá. Ou melhor, não chegará aqui.

Mal o cadáver de Kim Jong-il havia esfriado e os norte coreanos já tinham mais 11 para chorar, com a eliminação na terceira fase das eliminatórias asiáticas da seleção local e a consequente execução dos atletas na volta para casa como pena por terem fracassado.
Enfrentando um grupo com o cabeça-de-chave Japão, Uzbequestão e Tadjiquistão, o time de Pyongyang esteve longe da classificação, sendo derrotado duas vezes pelos uzbequis, que ficaram com uma das vagas junto com o japoneses. A campanha dos coreanos foi tão ruím, que a primeira e única vitória só veio no quinto dos seis jogos que o país fez. A desmobilização pode ser vista em imagens como esta, do time alinhado para enfrentar o Japão:

Quem perde com a Coréia do Norte fora da Copa:
Tirando o futebol, onde eles não acrescentam em nada, a Coréia do Norte é um prato cheio. O país não saía das manchetes em 2010. Teve de tudo: torcida falsa nos estádios, formada por um monte de chineses contratados pelo governo para se passar por norte coreanos; a polêmica dos jogos que eram passados algumas horas depois editados para a população e apenas com os melhores momentos do time vermelho - aliás, que rendeu esse vídeo feito por mim em parceria com o amigo Alexandre de Santi.
E ainda perdem os prossíveis adversários deles na primeira fase do mundial. Em 2010, eles levaram a maior goleada da competição, 7 x 0 para Portugal, e ainda levaram 3 x 0 da Costa do Marfim. Só quem não conseguiu socar eles foi a porcaria do time que o Dunga montou.
Quem ganha com a Coréia do Norte fora da Copa:
O Itamaraty se livra de um monte de trabalho que seria lidar com a documentação de uma delegação de uma nação tão fechada, fora a possibilidade de pintar jogadores pedindo asilo político no meio da Copa do Mundo, como acontece vez ou outra quando delegações enviadas por Pyangjong disputam competições pelo mundo.
Clique para ver ampliado.
(Source: serraleoa)
(Source: serraleoa)
Por Solon G.B. e Gabriel Gama. Derruba esse muro, Jabulani.
[video]
Resumindo a Copa.